"Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”. Amyr Klink.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Deus, poder e nação.... e mídia



Outra característica impressionante no Marrocos, o respeito e temor que o Monarca inspira, respectivamente, à população e aos integrantes da burocracia estatal. Na primeira foto, inscrito em uma montanha do alto Atlas: Deus (acima), rei (esquerda) e país (direita). Na segunda, também inscrições saudando a família real. As cidades por que passamos estavam tomadas por bandeiras do Marrocos, pois tinham acabado de comemorar uma data nacional, aniversário da marcha verde sobre o sahara (terceira e quarta foto).
No período em que estávamos no Marrocos, houve um conflito entre forças do Marrocos e habitantes do Sahara (saharís), em tese ligado a uma frente político-revolucionária, chamada frente polisario, que reivindica a "independência do sahara". Políticas e políticos a parte, ao voltarmos à Espanha, pelo espaço que o fato ocupava na mídia, sentimos um pouco aquele discurso de salvadores do mundo, que estamos acostumados a ver em relação aos EUA em relação ao "resto" do mundo. A oposição pressionando governo para adotar medidas contra o Marrocos por violação de direitos humanos (um jornalista espanhol havia morrido no conflito e têm a história da responsabilidade da Espanha por seu passado colonialista ...). Sabemos como termina essas histórias e quem paga o pato, sempre a população mais humilde e mais incapaz de se defender contra todos os imperialismos e autoritarismos, venham de onde venham.
Também sentimos bem o papel da mídia na criação de verdades e mentiras.... enfim... este não é o espaço para se alongar, mas queríamos registrar que fica na mente e coração aquela sensação da necessidade de ver e ouvir com nossos próprios olhos e ouvidos um mundo em que cada vez mais o espaço entre a realidade e nossos sentidos está intermediado pela tela da TV e do computador.

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